e[codex]


>> 0.0
[apresentação]

>> 1.0
[bio]comunidade

>> 1.1
parábola

>> 2.0
conceito

>> 3.0
[meta]comunidade

>> 4.0
[actividade projectual/laboratorial]

>> 5.0
[livro da comunidade]







3.0 [META]COMUNIDADE

ephemera[codex] é um livro morto.

Essa morte não significa o fim absoluto. Representa o termo da existência enquanto tal, considerando a possibilidade de uma passagem para um estádio distinto. A interrupção da vida chegou por um processo de fossilização através do qual a matéria se preservou. Essa cristalização abre caminho a um processo paradoxal no qual o livro se preservou, por um lado, mas encontrou a sua obsolescência, por outro. A fixação sem a possibilidade de actualização é precisamente um dos pontos em que o livro impresso encontra críticas (muito embora surjam também vozes no sentido oposto, sublinhando essa característica como algo positivo pela sua fiabilidade).

Perante o conceito de tempo e de actualização, ephemera[codex] persegue a perspectiva de Tinguely. A morte do livro antecipou-se à caducidade, evitando a sua própria obsolescência. A perenidade foi substituída pela mortalidade que potenciou uma transformação.

Na construção da comunidade ephemera[codex], o livro morto torna-se habitat para uma nova vida. Para tal foram utilizados meios digitais, considerados como extensões do próprio livro, num paralelismo com a máxima de Marshall McLuhan de que os media são extensões do homem. São essas designadas extensões que permitem aceder ao íntimo da comunidade e captar as formas vivas – reminiscências da matéria fossilizada que, por via da digitalização, encontrou nova configuração.

Enquanto comunidade, ephemera[codex] alimenta-se de energia humana, vivendo apenas dessa interacção. É, portanto, um objecto interactivo que responde à presença do utilizador. O objecto ilumina-se – sai do seu estado de diapausa e ganha vida. Projecta o seu interior, revelando a matéria instável em agitação.

O objecto de forma paralelepipédica rectangular é construído em acrílico preto mate, sobre o qual são gravadas inscrições através de um processo digital (com recurso a uma fresadora a laser) recuperando os tempos iniciais da escrita metaforizado num processo que se tornou digital. O interior, por oposição, é constituído por matéria instável que remete para a comunidade biológica e que, simultaneamente, constrói um diálogo entre permanência/fixação e impermanência/mutabilidade. Alimentado pela energia humana através do tacto, um motor agita a água e simboliza o início da vida. A tinta movimenta-se sem se fixar, em constante transformação, tal como os caracteres.

Tal como o livro físico analógico, ephemera[codex] é operado pelo tacto. Sensores de fotossensíveis permitem o acesso ao interior do livro, que é dado a conhecer através da captação de imagem por uma câmara que o invade. A caixa negra enforma-se contentor da cessação de vida – caixão para o estágio da transmutação – enquanto remete simultaneamente para a morfologia de um livro. A configuração morfológica de ephemera[codex] é, portanto, herdeira do livro físico, pretendendo recuperar a sua existência: textura, toque, materialidade.

A comunidade biológica nasce na água e a ela retorna para completar o seu ciclo e falecer. Nela se desenvolve e se altera. A imprevisibilidade de sobrevivência é uma equação volátil e aleatória. Estabelecendo mais um parelelismo formal entre livro físico e digital, ephemera[codex] tem também uma capa e um miolo. A capa é transponível pela interacção, permitindo assim o acesso virtual ao interior do objecto. A comunicação exógena da comunidade traduz-se por via da interactividade do objecto, que responde a estímulos externos.